quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Os Famosos "Contra": Aprendizado para a vida

Fala galera!

Desde que inventaram o fliperama com dois controles, o famoso "contra" faz parte da vida de um gamer. Mas foram nos games de luta que o "versus" viralizou.

Jogar contra sempre foi uma arte. Não é simplesmente colocar a ficha, olhar pro cara do lado, e começar a trocar tapas. Envolve toda uma manha, uma catimba, uma particularidade de cada um.

Alguns pedem pra entrar contra. Outros já colocam a ficha. Colocar a ficha sem pedir pode despertar medo ("nossa, o cara deve jogar bem"), raiva ("FDP, queria dar final"), desespero ("porra, vai entrar contra justo quando eu estou com esse personagem que não sei jogar bem") ou indiferença ("dane-se, vai apanhar do mesmo jeito").


O jeito que você acerta a mão no joystick, e pousa a mão nos botões diz tudo. Tudo é observado num "contra" de respeito. Aquela olhadela rápida na mão do adversário. A careta feita pela escolha do personagem do desafiante. E tudo isso num relance, numa fração de segundo. Afinal, é o futuro de sua ficha que está em jogo. E se você apanhar muito, sua reputação também.

É no "contra" que você testa toda sua experiência, horas jogando sozinho, treinando, dando final, lendo as manhas nas revistas, observando outro jogadores. E com o acúmulo de horas em "contras", você fica cada vez mais experiente. Quem só ganha, uma hora perde. Quem só perde... chora e vai pra casa.

Engana-se que um "versus" em casa é a mesma coisa. Jamais.
Em casa, todo confortável, todo acomodado, o peleja nem é levada a sério. É tipo um "contra café com leite". Joga-se, mas não é oficial. É no fliperama que o bicho pega!

Li na revista OLD!Gamer que "o contra era um formador de caráter".
Assino embaixo! Além da experiência, adquire-se malícia. Você aprende a ser durão. Não abaixar a cabeça por qualquer besteira.
Aquele tapa no controle. Aquela frase "NÂO ACREDITO!!". Aquela risadinha irônica. Esbarradas "sem querer". Tudo pra desestabilizar o adversário.

Já perdi tantos "contras". Nossa, muitos mesmo. Algumas que até eu não acreditei. Já perdi jogando com o Ken contra um cara com o Zangief, e só não foi de perfect o 2º Round porque ele defendeu um Hadouken. 
Certa vez, jogando The King of Fighters 97, um cara tirou meu trio inteiro (a saber: Ralf, Yamazaki e Yashiro) apenas com o Chin (aquele velhinho bêbado maldito!!).
Jogando Tekken então, nem se fala. Até aprender a jogar direito, levei umas surras surreais. Eu até cumprimentava o cara, de tanto que ele batia.

Essas coisas acontecem. Normal em um "contra (ou não)".


Eu gostava de jogar contra quem apelava. Já procurava uma máquina com cinzeiro, acendia um cigarro (naquela época podia fumar dentro desses estabelecimentos), e jogava com ele na boca. Quando a apelação começava, a fumaça preenchia o ambiente. Mais precisamente a visão de jogo do adversário. Essa era minha catimba contra os apelões.

Mas já ganhei também. Jogando Mortal Kombat (eu já tinha aprendido bem), tirei quatro fichas de um mesmo rapaz. Ele era bem mais velho que eu, e só jogava com o Sub-Zero. Na quarta ficha, meu amigo pediu "pega o Sub-Zero também!", e eu não quis. Por ser o personagem que eu mais sabia jogar, não achei justo. Logo eu, molecote de tudo, uns 14 anos. O cara ficou doido: "Pega ele sim! Eu quero ver!".
Atendendo a pedidos, joguei com o ninja azul. Depois de mais uma cabeça pra minha coleção, o cara me olha, dá uma risada e diz "moleque, você joga pra cacete! Mas não vai dar final nem fodendo!". E desligou a máquina!
Eu fiquei todo assustado. Ele me chamou no balcão da casa de fliperama, pagou as fichas dele, pagou a minha e me deu outras duas. Agradeci e voltei jogar.

Meu recorde de contras foi no colegial, jogando Street Fighter Zero. Teve reunião de professores, e todo mundo foi pra um boteco na rua atrás da escola, porque lá tinha sinuca e a máquina de SF. Apenas um amigo meu sabia que eu jogava. E o pessoal falou "Aí Marcelo, chega aí pra entrar contra". E esse amigo encorajou. E ria que passava mal.
27 fichas depois, desistiram de jogar comigo. E eu nem jogava tão bem assim. Eram as malícias adquiridas em um longo tempo de fliperamas.

Tenho um amigo, que até hoje não encontrei um cara que joga igual ele. Além de jogar muito (e tem o mesmo nome que eu), é catimbeiro demais. E mesmo perdendo, dá risada. Já tivemos uns contras memoráveis, e foi o cara que mais curti duelar.

Nunca fiz uma contabilização exata, mas acho que entre ganhos e perdas, talvez exista um empate. Ou uma pequena, bem pequena, vantagem dos combates que sai vitorioso.

Mas o importante não era ganhar ou perder. Era a diversão. A brincadeira. A adrenalina. Uma ficha não mudaria nada. Ou mudaria tudo.

Depende do ponto de vista.

Locadoras versus Casas de Fliperama - O Fim da Diversão

Fala galera!

Aqui em Campinas, no final da década de 80 e início de 90, a diversão era garantida.
De um lado tinham as locadoras de filme, que tiveram um "BOOM" em seus negócios, com a inclusão do aluguel de cartuchos de videogame. Algumas foram até além, podendo-se jogar por tempo, no próprio local. E claro, o movimento era intenso.

De outro lado, tínhamos as Casas de Fliperama. Cheio de máquinas, aqueles últimos lançamentos, e fichas baratas, atingiram, pelo menos aqui na cidade, um público mais adulto.

Na realidade, as locadoras de filmes que alugavam jogos (nem todas tinham uma área para os games) e filmes, eram a preferência da molecada. Só na região onde morava, havia quatro locadoras. Eram elas: a "Vídeo Pirata", a mais antiga na área, e que foi a primeira a trazer games de SNES e Mega Drive para locação; a "Casa do Vídeo", que mesmo depois da chegada da era dos 16 bits, ainda tinha uma quantidade enorme de cartuchos de 8 bits; a "Vídeo Gelado", que além de locadora, era uma sorveteria (que diga-se de passagem, tinha um sorvete de flocos delicioso), e a última a chegar, a "100% Vídeo", famosa rede de locadoras. E como bom gamer que se preze, como era menor de idade, meus pais e meu irmão tinham cadastro em todas.

Na sexta feira, ao invés de ir pra casa, escolhia pelo caminho em qual locadora eu iria locar games. Como todos sabem, sexta era O DIA para as locadoras, já que faziam aquelas promoções doidas de alugar duas fitas e devolver na segunda feira (o mesmo valia para filmes). E caso chegasse mais tarde, só alugaria games que já havia alugado antes, ou que não gostava muito.

O mais legal era quando um amigo perguntava "Você que alugou tal jogo, né? O dono da locadora me falou!!", porque ele também queria o mesmo game. Aí a confusão estava armada.
Fazíamos amizade com os donos, que conheciam toda a molecada, e conhecíamos novas pessoas, todas procurando jogos novos, e trocando experiências.

As locadoras que deixavam jogar por tempo, não foram uma moda aqui na cidade. Tiveram algumas, claro, mas nenhuma tinha nome. Eram espaços improvisados em garagens, ou algum local maior, mas nunca tinham nome. Inclusive joguei em algumas delas, mas nunca tiveram um nome, algo que deixasse marcado sua história.


Já as casas de fliperama, essas fizeram um sucesso enorme na cidade. No centro de Campinas haviam três, com duas ruas de diferença entre uma e outra. Eram: a "Sun Games", antiga casa de fliper da cidade. A "World Game", antiga também, e na mesma rua da rival "Sun Games". E a última a chegar, a "Street Games", na principal avenida do centro da cidade. E essa avenida é paralela à rua das duas casas que já citei. E apesar da proximidade, todas viviam cheias.

Você podia reparar, quase não existiam crianças dentro dos locais. Concordo que havia uma restrição de idade, que menores de 12 anos não podiam entrar. Mas era difícil ver alguém entre 12 e 15 anos lá dentro. Existiam, claro, mas não era comum.
Hoje, eu pensando em como escrever esse texto, e me lembro que passei mais tempo em casas de fliperama do que em locadoras. Minha vida de gamer, entre meus 15 e 20 anos, eram: alugar games e jogar em casa, ou jogar no fliperama.

Os arcades eram uma emoção sem tamanho: quando chegava uma máquina com game novo, ou quando alguém entrava contra (isso é uma das coisas mais comuns: algumas pessoas até ficavam esperando alguém jogar só pra entrar contra), e ainda quando você aprendia a jogar de verdade. Foi uma época muito boa, conheci muita gente, era divertido e sadio. 


Mas tudo o que é bom, uma hora acaba.

As casas de fliper sempre foram motivo de briga e discussão. Diziam que os frequentadores não prestavam, que apenas viciados ficavam lá, etc. Claro que naquela época, os frequentadores era diferentes. Mas no final de suas atividades, realmente era isso que acontecia, infelizmente. Os locais eram muito visados, para vários atos ilícitos. Nunca vou me esquecer: estava jogando The King of Fighter 2001, logo que lançou. A polícia entrou no local, pediu pra todo mundo se afastar das máquinas. Revistou todos, retirou dois rapazes do local, provavelmente com drogas. Não foram agressivos, devo ressaltar. Agradeceram e foram embora. Assim como meu trio, logo no começo do jogo. Pensei comigo "não é mais o mesmo lugar". Perdeu o encanto.

Todas fecharam as casas quase na mesma época. Alguns meses de diferença. Pouco antes disso, elas já não traziam mais novidades. Não haviam jogos novos. O pessoal que frequentava, nunca mais voltou, e em seus lugares, apenas pessoas paradas lá dentro, utilizando o espaço para outras coisas. Máquinas vazias. Devo admitir que fiquei triste com isso.

As locadoras foram perdendo espaço para a pirataria. Logo que a pirataria de games começou na cidade, os cartuchos de Nintendo eram os mais pirateados, seguidos pelo Super Nintendo.
Uma locação de cartucho de SNES custava, em média na época, 4 reais. Um game pirata custava entre 15 e 20 reais. Com 5 locações, você comprava um game novo.
Mas o tiro de misericórdia foi quando os games em CD chegaram. A locação e o valor do game pirata era o mesmo. Aí não teve quem aguentasse.

Uma a uma, as locadoras foram fechando. Desfazendo de seus estoques. Claro que comprei games e filmes nessa ocasião, mas parecia que estava perdendo uma parte da minha infância. Outra coisa que não vou esquecer: no momento que as pessoas compravam games e filmes, nenhuma delas estava feliz pelos preços baixos da aquisição. Estavam silenciosos, quase como se estivessem de luto. Quase que prestando suas condolências aos donos das locadoras.

Nos locais onde residiam essas locadoras, hoje, são um pet shop, uma loja de venezianas, uma loja de chocolates. As casas de fliperama, hoje são uma loja de R$ 1,99, uma loja que vende produtos pra musculação, e uma lotérica.

Eu não queria escrever essas recordações com tom de tristeza, mas é meio difícil isso acontecer.
Quem viveu nessa época, jogou em locadoras, casas de fliperama, acompanhou in loco a evolução dos games, tem muitas recordações boas. Ótimas experiências. O final que foi, não triste, mas com aquela sensação de que "não era pra ter sido assim."

Porque aqui em Campinas, na disputa entre Locadoras e Casas de Fliperama, quem ganhou, sem dúvida, fomos nós, os gamers.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Jogando Mortal Kombat ou "Como que Faz pra Arrancar a Cabeça do Outro?"

Fala galera!

As casas de fliperamas aqui de Campinas (e de todo Brasil, imagino) tiveram uma época muito boa (financeiramente também para os donos).
"Os Simpsons", "Final Fight", "Street Fighter"... e claro, nessa mesma época, chegou o Mortal Kombat.

Nessa mesma época, já haviam as revistas de videogame, que cobriam uma gama de games, dentre eles os games novos dos arcades.
Então, quando você encontrava uma máquina nova na casa de fliper (e a mesma tratativa para os games caseiros), já corria pra banca, perguntava pra algum amigo que tinha as revistas, ou até mesmo tinha a sorte de ter essa revista em casa, o que era legal, e no outro dia você já não chegava tão perdido na jogatina.

Esse arpão do Scorpion teve tantos nomes... Ah, anos 90...

Mortal Kombat me deixou sem palavras: personagens "de verdade", cenários sinistros, sangue voava a cada "socão (gancho)" bem aplicado, a sensação de poder ao jogar o inimigo da famosa Ponte... e aquela frase "FINISH HIM!" anunciava o fim do seu adversário... caso você soubesse fazer os comandos.
Esse era o segredo do jogo. A jogabilidade (por causa das revistas, agora todos utilizavam o termo "jogabilidade" quando brincavam com um game) era excelente, mas poder matar o rival de uma maneira impiedosa... isso era Mortal Kombat!

Me lembro que logo que comecei a jogar, sabia fazer alguns comandos, escolhia sempre Scorpion ou Sub-Zero, e a dupla final ou Goro (a primeira vez que vi Goro, pensei "agora f*#&u!") era onde eu travava. Sério. Se alguém aqui acha que dei final logo de primeira (ou até de segunda), pode esquecer.
Mas ainda não me sentia completo. Ninguém sabia aplicar os famosos "Fatalitys" logo no começo de tudo, inclusive eu.

Esse sim impunha respeito!

Até que um belo dia, parei na casa de fliperamas onde parava sempre (quase todo dia), próximo à escola. Estava vazia, exceto por um jogador solitário, jogando MK. Curioso, parei do lado, cumprimentei o sujeito. Ele era mais velho que eu e que grande parte de quem frequentava o lugar.
Ele estava começando a segunda luta, jogava com o Sub-Zero. E jogava muito bem!

Então, para o meu choque: o grito de "FINISH HIM!" aparece, o ninja azul se aproxima de sua vítima... a tela escurece e...
Me lembro de olhar pro rapaz, com os olhos arregalados, e ele falou "Muito legal, né?". Concordei meio com cara de besta.
Legal? Claro que era legal! Legal pra cacete!!

Ainda acho esse Fatality o mais impactante. Não pelo sangue, mas pelo gancho.
Imagina a força pra arrancar uma cabeça??

As lutas foram passando, ele jogando tranquilamente. Um mestre Zen até quando perdia um round. E a coleção de cabeças com colunas só aumentava.
Passou as duplas, passou Goro (numa luta mais apertada) e chegou no último chefe. Shang Tsung, em toda sua glória de velhinho arruaceiro.
O velhinho se transformava nos outros combatentes, e o rapaz inabalável, mesmo perdendo um round, deu final.
Assistimos sozinhos, e eu do lado, com uma cara de bobo só minha.
Ele foi se afastar da máquina, e quando percebi que ele ia embora, na minha timidez gigante, não me segurei e perguntei: "Cara, como que faz pra arrancar a cabeça do outro?".
Ele me perguntou se eu ia jogar, e respondi que sim. Coloquei a ficha na máquina e ele ficou próximo. Naquele dia, eu finalmente entendi como tudo funcionava. E claro, arrancar a cabeça do adversário com o Sub-Zero. Ele se despediu, logo depois de eu conseguir fazer dois Fatalitys seguidos. Agradeci e continuei jogando. E claro, não dei final. De novo.


No dia seguinte, meus amigos estavam lá. E claro, rodeando MK. Esperei, e na minha vez, estava lá novamente o ninja do gelo.
Me recordo de arrancar a cabeça do adversário, e todos me olhando. "Onde você aprendeu isso, Bart?". Apenas ri. Um risinho sem graça e vergonhoso.
Pela primeira vez, dei final no game. Todos em polvorosa, dando tapinhas nas minhas costas e pedindo pra eu ensinar a arrancar a cabeça dos inimigos.

Claro que aprendi a jogar com outros personagens, uns mais que outros. Aprendi a dar todos os Fatalitys meses depois, com auxílio de revistas.
Fiquei tão bom em MK quanto em SF. O que me rendeu mais histórias, mas dessa vez nos "contras" da vida. Isso é pra outra ocasião.
De lá pra cá, minha coleção de cabeças com colunas só tem aumentado. De corpos carbonizados, cabeças estouradas e corações também.

Seria lindo pra essa história se eu tivesse dado final logo de cara. O que não aconteceu. Mas também não teria tido a menor graça.
Pode ter certeza "O primeiro Fatality, a gente nunca esquece".
Sei que soa clichê total, mas digam que estou errado...

Ah, o Fatality é → ↓ → + soco alto, próximo ao adversário!

Em busca de Sheng Long

Fala galera!

Eu já tinha um certo tempo de fliperamas.
Jogava bem Street Fighter II, e não é uma maneira de dizer que eu "arrebentava todo mundo". Negativo, mas jogava bem. Meu recorde de "contras" foi em uma máquina de Street Fighter, a versão "Alpha (ou "Zero")". Mas é história pra outra hora.

SF II era lindo, mas SF II' - Champion Edition foi onde peguei o Diploma de Viciado.
Logo que joguei com o M. Bison (sempre o verde, selecionado com Start) e o Vega, tudo mudou.
Até hoje, o último chefe de SF é meu personagem preferido.
Lembro que quando um boato começou a correr, desde botecos onde tinham as máquinas de SF até casas de fliperamas. Um personagem secreto, muito difícil de lutar contra ele.
Nessa mesma época, não sei nem por onde começou, que Guile não se chamava Guile. Se chamava "General Uile". Não sei onde viram um ponto entre o "G" e o "U" do nome do personagem. 
E que se Vega apanhasse muito sem as garras, também perdia a máscara (acho que a Capcom adorou a ideia e inseriu anos mais tarde em SF Alpha 3). Mas tudo fazia parte da grande febre que foi o game. Incluindo a "Lenda de Sheng Long".
Ouvi em vários lugares, e sempre da mesma forma. Nunca mudou a lenda. Engraçado isso, penso hoje.



A lenda começou na frase de Ryu, após vencer seu adversário, "You must defeat Sheng Long to stand a chance (você precisa derrotar Sheng Long para ter uma chance)". A molecada pulava em volta da máquina, apontando o nome do lendário mestre de Ryu e Ken.

Sempre ouvia o pessoal falando disso. Contaminou a imaginação do pessoal. E eu, curioso de como conseguir realizar tamanho desafio, e achando o máximo um novo desafio, perguntei: "Gente, como fazemos isso?".

A tarefa era hercúlea: vencer todos os personagens de "perfect", nem um dano sequer. Após isso, empatar 10 (isso, dez) vezes com M. Bison, sem nenhum dos dois sofrer dano. Após tal feito, Sheng Long apareceria, derrotaria Bison com um golpe e aí... era com você, enfrentar o "capeta" em forma de personagem de game.

Pensei, descrente: "Cacete, tudo de perfect! Até dar final sem perder rounds é aceitável, já consegui. Mas todos de perfect? E como empatar com o Bison? E 10 vezes? Nem da pra fazer isso...".

A lenda que ajudou a Capcom a evoluir seus personagens...

Aí começa a saga da busca por Sheng Long, que até "Roriuguem" de fogo dava.
Eu mesmo, juro, nunca tentei. E sempre ficava perto da máquina, quando não estava jogando. Quem jogava, apelava muito pra dar perfect, e se acontecia logo no primeiro round, o jogador já falava: "é hoje que vou buscar o Sheng Long!!!".
No segundo round, logo tomava um tapinha, ou defendia alguma magia, já fechava a cara e ficava quieto. Vi, por várias vezes, molecada fazendo vaquinha pra comprar ficha, um monte delas, e tentar desafiar o lendário mestre. Ou o desafio de se chegar até lá. Ou desanimar logo no início.

Sempre aparecia um dos cliente regulares, com histórias assim:
- "O primo do vizinho do amigo do irmão do meu vizinho chegou no Sheng Long e perdeu por pouco!"
- "O amigo do primo do irmão do menino que estuda com o vizinho do meu amigo chegou no Sheng Long e eu vi, é verdade!!"
"Cheguei no Mestre Bison, empatei oito lutas, na nona tomei porrada, e tive que ganhar pra poder dar final..."
É, loucura mesmo. Triste...
E assim a lenda do impossível perdurou, por alguns meses. Meses de lucro pro dono da casa de fliperamas.

Hoje, sabemos que foi uma brincadeira de 1º de abril da revista americana EGM (Eletronic Games Monthly), que existem os famosos MUGEN, que trouxeram a vida o personagem. E a própria Capcom liberou o personagem de verdade, mas com o nome de Gouken.

Hoje, graças as engines de MUGEN, esse combate é possível.
Mas não tem a mesma graça, nem queria mesmo...

Sabemos que Sheng Long é apenas o Shoryuken com outro nome.

Se eu me arrependo de não ter buscado por Sheng Long pessoalmente?
Na verdade, não.
Acho que só ter feito parte da empolgação da época, das conversas, já me foi o suficiente.
Mesmo sabendo que eu apelava com o Bison, e que poderia ter, uma chance remota... brincadeira.
Sheng Long foi um personagem nascido de uma brincadeira da revista, mas ganhou vida na imaginação de quem viveu aquela época. Muito bacana isso.

Mas no fundo, sempre soube que era invenção, mesmo na empolgação de todos.
Afinal, as lutas vão até o Final Round, certo?

Certo??

Os Primeiros Starts

Fala galera!

Muitos dizem que uma dos sentidos que te faz lembrar das coisas, é o olfato.
Te faz lembrar de relacionamentos, lugares por onde passou, alguma refeição em um local diferente.

Embora eu não me recorde de muitas coisas antes de meus 12 anos, eu ainda me lembro do cheiro de quando meus pais compraram o Atari 2600.
O cheiro de quando aquele treco esquisito saiu da caixa, novinho.


Eu tinha por volta de 4 ou 5 anos, e meu irmão já havia jogado videogame na casa de um amigo dele.
Desde então, só falava do tal "Atari". Eu nem tinha ideia do que era.

E meus pais apareceram com aquela caixa cinza em casa. Meu irmão ficou eufórico. E eu sem entender nada. Após instalado, fiquei sem piscar. Todas aquelas cores, movimentos.
Aqueles labirintos do Come-Come, a velocidade do carrinho branco, o avião fazendo altas manobras.
E meu irmão, claro, como já havia jogado antes, sabia o que estava fazendo.

Lembranças da simplicidade...

Sempre aparecida um cartucho novo pra jogar. Aquela altura, amigos do meu irmão também tinham o console, e sempre compravam jogos novos. Incluindo os cartuchos Dactar, que você tinha que ter uma desenvoltura gigante pra virar as "chaves" pra tentar jogar o game que queria brincar.



Nós sempre jogávamos, e eu fui pegando o jeito daquilo. Nada de profissionalismo, ou 10 horas na frente da TV, pois estava naquela fase de brincar com outras coisas. E além disso, aprendi a ler com 5 anos, entrei na escola já alfabetizado. Graças aos meu pais. E acho que isso me ajudou muito, pois podia ler os rótulos dos cartuchos, e jogava qual eu queria, sem perguntar pra ninguém.
Um dos games que joguei no cartucho Dactar, e sempre achei o máximo foi "Sexta Feira 13 (na verdade, era o "Halloween"). 
Tentar salvar a criança e tomar cuidado pra não ser decapitado. Achava aquilo muito legal. O medo de quando o assassino aparecia, e a músiquinha que o acompanhava. Uma mistura de medo (de perder), adrenalina e heroísmo.

Halloween: altamente instrutivo...

Meu irmão e eu nunca brigamos pelo Atari. Ou qualquer outro console que tivemos. Sempre foi muito tranquilo jogarmos juntos, cada um na sua vez e nos ajudando na vez do outro.
Acho que uma das recordações mais duradouras que tenho com relação ao nosso primeiro console, foi em uma tarde de sábado ou domingo. E estava frio.
Meus pais sentados nos sofá, meu irmão e eu sentados no chão, e todos jogando Enduro e River Raid.

E assim começou minha caminhada nessa vida de gamer. Não foi nada de "nossa, lição de vida" ou "nossa, ele é predestinado". Simplesmente foi divertido. E mudou minha vida. Mas essas lembranças sempre voltam quando a luzinha dos meus consoles mudam de cor entre ON e OFF.
Sempre.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Assoprando o cartucho de memórias...

Fala galera!

Esse é um projeto paralelo ao meu outro blog, o 2º Olhar.

Porém, com uma ideia diferente.

Cada gamer tem uma história particular.
Sua trajetória com um controle nas mãos.
As desventuras desbravando mundos, lutando, correndo em pistas a mais de 150 Km/h...

Pois bem, essas serão minhas desventuras. E acredito que muitos gamers das antigas vão se familiarizar com essas memórias. Ou grande parte delas.

Procurarei não citar nomes de envolvidos, apenas de alguns parceiros de crime.
Alguns lugares, ainda me lembro seus endereços.

Tentarei postar conforme me lembrar das histórias, e acredite, me lembro de muitas coisas.
E não postarei em exata ordem cronológica, já que uma lembrança puxa outra, em outra ocasião, no alto de meus quase 30 anos de jogatina desenfreada. E apaixonada.

Espero que gostem, e claro, não venho aqui me vangloriar de nada.
Porque o subtítulo do blog é esse: "Já peguei muito continue". E como utilizei isso!

Então, assoprem seus cartuchos, e se aventurem nessa comigo (e podem rir à vontade)!



- Bart