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domingo, 1 de abril de 2018

Uma Reflexão Sobre os "Contras"

Fala galera!

Hoje aqui em Campinas, ainda mais agora à noite, está bem chuvoso.
O que une o útil ao agradável: estou de folga, as tarefas da casa estão em dia, então posso jogar à vontade.
Me sentei em frente à TV, ritual que faço desde criancinha.
Liguei o console e me deixei levar.
Após algumas horas, me peguei pensando na evolução da tecnologia.


Peguei gosto por jogar online Ultra Street Fighter IV.
Longe de ser um profissional, ainda estou adquirindo as técnicas.
E no "contra" online é complicado, pelo menos pra mim, porque comecei a pouco tempo.

Na opção Arcade Mode, você pode liberar que desafiem você no modo online.
Algo parecido com os "contras" do arcade, quase 20 anos atrás.
Mas com certas peculiaridades...

Então, a partir deste ponto, vou escrever as diferenças entre o "contra" do arcade e essa nova modalidade de peleja 1 x 1:

- Não era todo mundo que queria jogar contra você no arcade. Alguns observavam, outros esperavam aquele momento de coragem, e outros só esperavam a vez de batalhar.
Já no modo online, praticamente todos estão à espera de batalhar. O lado positivo é que você realmente pode ou não aceitar a batalha, o que é legal, já que depende de um motivo em especial: a conexão. Se estiver ruim, a lentidão toma conta da luta, e os comandos não ficam de acordo com o necessário.


- Do mesmo modo que acontecia no arcade, você precisava saber jogar, no mínimo o básico, pra não passar vergonha. Sempre buscando saber mais táticas, manhas e por aí vai. E claro, a malícia adquirida ao longo de várias fichas.
Já no mundo online, e com a evolução natural dos games, esse "saber jogar, no mínimo o básico", não ajuda muito. De verdade. As táticas, manhas, combos, etc., mudaram para um nível assustador. Então, o Pratice Mode é de importância vital para não ser "moído" nos contras.

- Falei sobre "malícia" logo acima. Aqui, no "contra" online, a "malícia" do jogo ombro-a-ombro foi esquecida. Totalmente. Ela foi substituída por mensagens ofensivas, você ganhando ou perdendo, corre o risco de receber alguma dessas mensagens.
Recebi poucas me xingando. Até agora, recebi mais mensagens amistosas como "bom jogo", "luta equilibrada", coisas bem bacanas.

Aqui, entra algo que já citei em um post anterior. "Os contras no fliperama ajudavam a moldar seu caráter". Como as casas de fliperama, pelo menos aqui na cidade, tinham a galera do bem e a "galera sinistra", eu não consigo imaginar esses caras que xingam por mensagem, falando isso na cara do maluco mal encarado ao lado dele. Talvez nem jogando contra.

Juri Han: minha nova personagem favorita!

No USF IV, escolhi jogar com a Juri Han.
Resolvi fugir daquele padrão de escolher Ryu, Ken, Akuma e personagens "radugueiros". Respeito quem joga com eles, ou com qualquer um, mas resolvi tentar uma coisa nova. Como aquele ditado "truques novos pra um cachorro velho"...
E me sinto bem por ainda conseguir trocar belas porradas no mundo virtual. Não parar no tempo. Fico feliz por continuar acompanhando a evolução dos games, entre eles uma das minhas séries favoritas, Street Fighter.

Entre elogios e xingos (mais elogios, ainda bem...), continuo trilhando aquele caminho que escolhi muitos anos atrás.
Não de ser o melhor jogador do mundo.
Mas de não me deixar parar no tempo.
Afinal, é isso que um retrogamer quer, não é?

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Em busca de Sheng Long

Fala galera!

Eu já tinha um certo tempo de fliperamas.
Jogava bem Street Fighter II, e não é uma maneira de dizer que eu "arrebentava todo mundo". Negativo, mas jogava bem. Meu recorde de "contras" foi em uma máquina de Street Fighter, a versão "Alpha (ou "Zero")". Mas é história pra outra hora.

SF II era lindo, mas SF II' - Champion Edition foi onde peguei o Diploma de Viciado.
Logo que joguei com o M. Bison (sempre o verde, selecionado com Start) e o Vega, tudo mudou.
Até hoje, o último chefe de SF é meu personagem preferido.
Lembro que quando um boato começou a correr, desde botecos onde tinham as máquinas de SF até casas de fliperamas. Um personagem secreto, muito difícil de lutar contra ele.
Nessa mesma época, não sei nem por onde começou, que Guile não se chamava Guile. Se chamava "General Uile". Não sei onde viram um ponto entre o "G" e o "U" do nome do personagem. 
E que se Vega apanhasse muito sem as garras, também perdia a máscara (acho que a Capcom adorou a ideia e inseriu anos mais tarde em SF Alpha 3). Mas tudo fazia parte da grande febre que foi o game. Incluindo a "Lenda de Sheng Long".
Ouvi em vários lugares, e sempre da mesma forma. Nunca mudou a lenda. Engraçado isso, penso hoje.



A lenda começou na frase de Ryu, após vencer seu adversário, "You must defeat Sheng Long to stand a chance (você precisa derrotar Sheng Long para ter uma chance)". A molecada pulava em volta da máquina, apontando o nome do lendário mestre de Ryu e Ken.

Sempre ouvia o pessoal falando disso. Contaminou a imaginação do pessoal. E eu, curioso de como conseguir realizar tamanho desafio, e achando o máximo um novo desafio, perguntei: "Gente, como fazemos isso?".

A tarefa era hercúlea: vencer todos os personagens de "perfect", nem um dano sequer. Após isso, empatar 10 (isso, dez) vezes com M. Bison, sem nenhum dos dois sofrer dano. Após tal feito, Sheng Long apareceria, derrotaria Bison com um golpe e aí... era com você, enfrentar o "capeta" em forma de personagem de game.

Pensei, descrente: "Cacete, tudo de perfect! Até dar final sem perder rounds é aceitável, já consegui. Mas todos de perfect? E como empatar com o Bison? E 10 vezes? Nem da pra fazer isso...".

A lenda que ajudou a Capcom a evoluir seus personagens...

Aí começa a saga da busca por Sheng Long, que até "Roriuguem" de fogo dava.
Eu mesmo, juro, nunca tentei. E sempre ficava perto da máquina, quando não estava jogando. Quem jogava, apelava muito pra dar perfect, e se acontecia logo no primeiro round, o jogador já falava: "é hoje que vou buscar o Sheng Long!!!".
No segundo round, logo tomava um tapinha, ou defendia alguma magia, já fechava a cara e ficava quieto. Vi, por várias vezes, molecada fazendo vaquinha pra comprar ficha, um monte delas, e tentar desafiar o lendário mestre. Ou o desafio de se chegar até lá. Ou desanimar logo no início.

Sempre aparecia um dos cliente regulares, com histórias assim:
- "O primo do vizinho do amigo do irmão do meu vizinho chegou no Sheng Long e perdeu por pouco!"
- "O amigo do primo do irmão do menino que estuda com o vizinho do meu amigo chegou no Sheng Long e eu vi, é verdade!!"
"Cheguei no Mestre Bison, empatei oito lutas, na nona tomei porrada, e tive que ganhar pra poder dar final..."
É, loucura mesmo. Triste...
E assim a lenda do impossível perdurou, por alguns meses. Meses de lucro pro dono da casa de fliperamas.

Hoje, sabemos que foi uma brincadeira de 1º de abril da revista americana EGM (Eletronic Games Monthly), que existem os famosos MUGEN, que trouxeram a vida o personagem. E a própria Capcom liberou o personagem de verdade, mas com o nome de Gouken.

Hoje, graças as engines de MUGEN, esse combate é possível.
Mas não tem a mesma graça, nem queria mesmo...

Sabemos que Sheng Long é apenas o Shoryuken com outro nome.

Se eu me arrependo de não ter buscado por Sheng Long pessoalmente?
Na verdade, não.
Acho que só ter feito parte da empolgação da época, das conversas, já me foi o suficiente.
Mesmo sabendo que eu apelava com o Bison, e que poderia ter, uma chance remota... brincadeira.
Sheng Long foi um personagem nascido de uma brincadeira da revista, mas ganhou vida na imaginação de quem viveu aquela época. Muito bacana isso.

Mas no fundo, sempre soube que era invenção, mesmo na empolgação de todos.
Afinal, as lutas vão até o Final Round, certo?

Certo??