Fala galera!
Aqui em Campinas, no final da década de 80 e início de 90, a diversão era garantida.
De um lado tinham as locadoras de filme, que tiveram um "BOOM" em seus negócios, com a inclusão do aluguel de cartuchos de videogame. Algumas foram até além, podendo-se jogar por tempo, no próprio local. E claro, o movimento era intenso.
De outro lado, tínhamos as Casas de Fliperama. Cheio de máquinas, aqueles últimos lançamentos, e fichas baratas, atingiram, pelo menos aqui na cidade, um público mais adulto.
Na realidade, as locadoras de filmes que alugavam jogos (nem todas tinham uma área para os games) e filmes, eram a preferência da molecada. Só na região onde morava, havia quatro locadoras. Eram elas: a "Vídeo Pirata", a mais antiga na área, e que foi a primeira a trazer games de SNES e Mega Drive para locação; a "Casa do Vídeo", que mesmo depois da chegada da era dos 16 bits, ainda tinha uma quantidade enorme de cartuchos de 8 bits; a "Vídeo Gelado", que além de locadora, era uma sorveteria (que diga-se de passagem, tinha um sorvete de flocos delicioso), e a última a chegar, a "100% Vídeo", famosa rede de locadoras. E como bom gamer que se preze, como era menor de idade, meus pais e meu irmão tinham cadastro em todas.
Na sexta feira, ao invés de ir pra casa, escolhia pelo caminho em qual locadora eu iria locar games. Como todos sabem, sexta era O DIA para as locadoras, já que faziam aquelas promoções doidas de alugar duas fitas e devolver na segunda feira (o mesmo valia para filmes). E caso chegasse mais tarde, só alugaria games que já havia alugado antes, ou que não gostava muito.
O mais legal era quando um amigo perguntava "Você que alugou tal jogo, né? O dono da locadora me falou!!", porque ele também queria o mesmo game. Aí a confusão estava armada.
Fazíamos amizade com os donos, que conheciam toda a molecada, e conhecíamos novas pessoas, todas procurando jogos novos, e trocando experiências.
As locadoras que deixavam jogar por tempo, não foram uma moda aqui na cidade. Tiveram algumas, claro, mas nenhuma tinha nome. Eram espaços improvisados em garagens, ou algum local maior, mas nunca tinham nome. Inclusive joguei em algumas delas, mas nunca tiveram um nome, algo que deixasse marcado sua história.
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Você podia reparar, quase não existiam crianças dentro dos locais. Concordo que havia uma restrição de idade, que menores de 12 anos não podiam entrar. Mas era difícil ver alguém entre 12 e 15 anos lá dentro. Existiam, claro, mas não era comum.
Hoje, eu pensando em como escrever esse texto, e me lembro que passei mais tempo em casas de fliperama do que em locadoras. Minha vida de gamer, entre meus 15 e 20 anos, eram: alugar games e jogar em casa, ou jogar no fliperama.
Os arcades eram uma emoção sem tamanho: quando chegava uma máquina com game novo, ou quando alguém entrava contra (isso é uma das coisas mais comuns: algumas pessoas até ficavam esperando alguém jogar só pra entrar contra), e ainda quando você aprendia a jogar de verdade. Foi uma época muito boa, conheci muita gente, era divertido e sadio.
Mas tudo o que é bom, uma hora acaba.
As casas de fliper sempre foram motivo de briga e discussão. Diziam que os frequentadores não prestavam, que apenas viciados ficavam lá, etc. Claro que naquela época, os frequentadores era diferentes. Mas no final de suas atividades, realmente era isso que acontecia, infelizmente. Os locais eram muito visados, para vários atos ilícitos. Nunca vou me esquecer: estava jogando The King of Fighter 2001, logo que lançou. A polícia entrou no local, pediu pra todo mundo se afastar das máquinas. Revistou todos, retirou dois rapazes do local, provavelmente com drogas. Não foram agressivos, devo ressaltar. Agradeceram e foram embora. Assim como meu trio, logo no começo do jogo. Pensei comigo "não é mais o mesmo lugar". Perdeu o encanto.
Todas fecharam as casas quase na mesma época. Alguns meses de diferença. Pouco antes disso, elas já não traziam mais novidades. Não haviam jogos novos. O pessoal que frequentava, nunca mais voltou, e em seus lugares, apenas pessoas paradas lá dentro, utilizando o espaço para outras coisas. Máquinas vazias. Devo admitir que fiquei triste com isso.
As locadoras foram perdendo espaço para a pirataria. Logo que a pirataria de games começou na cidade, os cartuchos de Nintendo eram os mais pirateados, seguidos pelo Super Nintendo.
Uma locação de cartucho de SNES custava, em média na época, 4 reais. Um game pirata custava entre 15 e 20 reais. Com 5 locações, você comprava um game novo.
Mas o tiro de misericórdia foi quando os games em CD chegaram. A locação e o valor do game pirata era o mesmo. Aí não teve quem aguentasse.
Uma a uma, as locadoras foram fechando. Desfazendo de seus estoques. Claro que comprei games e filmes nessa ocasião, mas parecia que estava perdendo uma parte da minha infância. Outra coisa que não vou esquecer: no momento que as pessoas compravam games e filmes, nenhuma delas estava feliz pelos preços baixos da aquisição. Estavam silenciosos, quase como se estivessem de luto. Quase que prestando suas condolências aos donos das locadoras.
Nos locais onde residiam essas locadoras, hoje, são um pet shop, uma loja de venezianas, uma loja de chocolates. As casas de fliperama, hoje são uma loja de R$ 1,99, uma loja que vende produtos pra musculação, e uma lotérica.
Eu não queria escrever essas recordações com tom de tristeza, mas é meio difícil isso acontecer.
Quem viveu nessa época, jogou em locadoras, casas de fliperama, acompanhou in loco a evolução dos games, tem muitas recordações boas. Ótimas experiências. O final que foi, não triste, mas com aquela sensação de que "não era pra ter sido assim."
Porque aqui em Campinas, na disputa entre Locadoras e Casas de Fliperama, quem ganhou, sem dúvida, fomos nós, os gamers.


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