Fala galera!
As casas de fliperamas aqui de Campinas (e de todo Brasil, imagino) tiveram uma época muito boa (financeiramente também para os donos).
"Os Simpsons", "Final Fight", "Street Fighter"... e claro, nessa mesma época, chegou o Mortal Kombat.
Nessa mesma época, já haviam as revistas de videogame, que cobriam uma gama de games, dentre eles os games novos dos arcades.
Então, quando você encontrava uma máquina nova na casa de fliper (e a mesma tratativa para os games caseiros), já corria pra banca, perguntava pra algum amigo que tinha as revistas, ou até mesmo tinha a sorte de ter essa revista em casa, o que era legal, e no outro dia você já não chegava tão perdido na jogatina.
Mortal Kombat me deixou sem palavras: personagens "de verdade", cenários sinistros, sangue voava a cada "socão (gancho)" bem aplicado, a sensação de poder ao jogar o inimigo da famosa Ponte... e aquela frase "FINISH HIM!" anunciava o fim do seu adversário... caso você soubesse fazer os comandos.
Esse era o segredo do jogo. A jogabilidade (por causa das revistas, agora todos utilizavam o termo "jogabilidade" quando brincavam com um game) era excelente, mas poder matar o rival de uma maneira impiedosa... isso era Mortal Kombat!
Me lembro que logo que comecei a jogar, sabia fazer alguns comandos, escolhia sempre Scorpion ou Sub-Zero, e a dupla final ou Goro (a primeira vez que vi Goro, pensei "agora f*#&u!") era onde eu travava. Sério. Se alguém aqui acha que dei final logo de primeira (ou até de segunda), pode esquecer.
Mas ainda não me sentia completo. Ninguém sabia aplicar os famosos "Fatalitys" logo no começo de tudo, inclusive eu.
Até que um belo dia, parei na casa de fliperamas onde parava sempre (quase todo dia), próximo à escola. Estava vazia, exceto por um jogador solitário, jogando MK. Curioso, parei do lado, cumprimentei o sujeito. Ele era mais velho que eu e que grande parte de quem frequentava o lugar.
Ele estava começando a segunda luta, jogava com o Sub-Zero. E jogava muito bem!
Então, para o meu choque: o grito de "FINISH HIM!" aparece, o ninja azul se aproxima de sua vítima... a tela escurece e...
Me lembro de olhar pro rapaz, com os olhos arregalados, e ele falou "Muito legal, né?". Concordei meio com cara de besta.
Legal? Claro que era legal! Legal pra cacete!!
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| Ainda acho esse Fatality o mais impactante. Não pelo sangue, mas pelo gancho. Imagina a força pra arrancar uma cabeça?? |
As lutas foram passando, ele jogando tranquilamente. Um mestre Zen até quando perdia um round. E a coleção de cabeças com colunas só aumentava.
Passou as duplas, passou Goro (numa luta mais apertada) e chegou no último chefe. Shang Tsung, em toda sua glória de velhinho arruaceiro.
O velhinho se transformava nos outros combatentes, e o rapaz inabalável, mesmo perdendo um round, deu final.
Assistimos sozinhos, e eu do lado, com uma cara de bobo só minha.
Ele foi se afastar da máquina, e quando percebi que ele ia embora, na minha timidez gigante, não me segurei e perguntei: "Cara, como que faz pra arrancar a cabeça do outro?".
Ele me perguntou se eu ia jogar, e respondi que sim. Coloquei a ficha na máquina e ele ficou próximo. Naquele dia, eu finalmente entendi como tudo funcionava. E claro, arrancar a cabeça do adversário com o Sub-Zero. Ele se despediu, logo depois de eu conseguir fazer dois Fatalitys seguidos. Agradeci e continuei jogando. E claro, não dei final. De novo.
No dia seguinte, meus amigos estavam lá. E claro, rodeando MK. Esperei, e na minha vez, estava lá novamente o ninja do gelo.
Me recordo de arrancar a cabeça do adversário, e todos me olhando. "Onde você aprendeu isso, Bart?". Apenas ri. Um risinho sem graça e vergonhoso.
Pela primeira vez, dei final no game. Todos em polvorosa, dando tapinhas nas minhas costas e pedindo pra eu ensinar a arrancar a cabeça dos inimigos.
Claro que aprendi a jogar com outros personagens, uns mais que outros. Aprendi a dar todos os Fatalitys meses depois, com auxílio de revistas.
Fiquei tão bom em MK quanto em SF. O que me rendeu mais histórias, mas dessa vez nos "contras" da vida. Isso é pra outra ocasião.
De lá pra cá, minha coleção de cabeças com colunas só tem aumentado. De corpos carbonizados, cabeças estouradas e corações também.
Seria lindo pra essa história se eu tivesse dado final logo de cara. O que não aconteceu. Mas também não teria tido a menor graça.
Pode ter certeza "O primeiro Fatality, a gente nunca esquece".
Sei que soa clichê total, mas digam que estou errado...





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